Thomas Hobbes, nascido em 1588, (matemático e filósofo inglês do século XVII) buscou nessa obra explicar a realidade política da sociedade inglesa no início do século XVII, período conturbado para os ingleses, tanto no campo cultural quanto no religioso e político.
O nome da obra, Leviatã, faz referência ao monstro
bíblico, uma criatura mais temível e poderosa que logo iremos entender ao que
se refere. O livro tem como tema central a organização social. Hobbes afirma que o homem é o lobo do próprio
homem, e se não existe um estado pra regular as pessoas, o ser humano viverá em
constante estado de guerra. O autor explana bastante sobre qualidades e
aptidões do ser humano, os sentimentos, o que é amor, sonhos, ansiedade e
etc... e essa é uma parte maçante do livro, mas importante. Ao contrario do que
muitos falam, ( que eu mesma já disse em outra resenha) Hobbes não diz que o
homem nasce mal, ele diz que o homem vive em constante estado de guerra, pois
se um homem tem sua honra ferida, ele simplesmente ira tentar acabar com o
outro porque não existem leis que evitem isso. Logo o mais fraco está a merecer
do mais forte, entretanto;
“A natureza
fez os homens tão iguais na faculdade físicas e mentais, que embora alguns
sejam manifestadamente mais fortes ou mentalmente mais ágeis, quando se
contemplam esses fatores em conjuntos a diferença entre eles não é tão
considerável a ponto de levar um deles a postular para si mesmo, qualquer
beneficio que o outro não possa reivindicar com o mesmo direito. Pois, quando a
força física, o mais fraco tem vigor suficiente para matar o mais forte, ou por
meio de maquinações secretas ou em confederação com outros que coram o mesmo perigo.”
Para evitar assim esse estado de guerra de todos
contra todo, Hobbes explica que o homem deve abrir mão de seu estado de natureza (e junto com ela, seus direitos naturais). Ele conclui que nossa sociedade deriva do
pensamento contratualista, e explica os
caminhos que levam as pessoas a formarem governos, para manter a ordem, com um
acordo que assinala o fim do estado natural, para um estado social politico.
Esse contrato é um pacto tão violento quanto à
violência que o pacto deveria ter, e seria realizado entre homens e sem
intervenção de princípios, decorrendo de sua natureza humana agressiva e
marcada pela escassez (a fome e a insegurança), eles cederiam a um dentre os
homens o atributo singular do exercício da violência, como por exemplo um
Monarca, que deveria assegurar a pacificação entre eles pela demarcação nítida
de um único poder que deveria ser exercido sobre todos. Isso porque os poderes
iguais no reino de natureza humana gerariam a situação de isolamento,
selvageria e barbárie, de guerra de todos contra todos. Desta forma o pacto
seria a entrega das armas ao Soberano, e a obediência total que a ele teriam de
prestar.
Hobbes define isso como um acordo entre os homens
contra a natureza humana, pois seria impossível viver de maneira pacifica, sem
que aja um controle que pudesse limita e reduzir a natureza humana agressiva.
Outros autores como Jean-Jacques Rousseau, "desmentem" essa ideia
pessimista de Hobbes sobre o Homem, e sinceramente reconheço fundamentos tanto
na obra deste autor em questão quanto dos autores que refutam ele, mas não vou
me aprofundar muito nisso.
A vida social seria, portanto, algo de antinatural.
Introduz-se uma cesura entre o indivíduo, que permanece considerado como “pura
natureza” e o mundo da política, como o “local de contenção” dessa mesma
natureza. Em segundo lugar, este contrato antinatural derivaria diretamente de
uma natureza humana má (genericamente faminta e cruel). Nesse sentido, ele
reuniria em si próprio o pior da natureza humana, sendo, por isso mesmo, um
permanente monstro a espreitar, mas um monstro necessário, (O SOBERANO) capaz
de conter, pela própria NÍVEL de sua monstruosidade, as pequenas
monstruosidades que habitariam cada uma das pessoas. O terceiro ponto a
considerar é que os indivíduos resultantes desse pacto seriam, ao mesmo tempo,
seres naturais, no sentido forte do termo (e, enquanto natureza, inalteráveis),
e seres de natureza contida, controlada, domesticada. A pacificação exigiria o
emprego das armas, ou da violência (antes comum a todos) tornada privilégio
apenas do Soberano ou daqueles investidos de tal poder.
O Estado – o contrato, o pacto, o Soberano –
erguia-se, pois, como a antinatural que, de fato, deveria regular, dirigir,
controlar a natureza humana. E, ainda que paradoxalmente, competiria a esse Estado
exatamente assegurar direitos cuja origem derivaria da natureza (vida,
liberdade, propriedade). Do pacto decorreria a sociedade civil, como uma
entidade baseado numa oposição ao estado de natureza.
O Leviatã, titulo do livro, é uma metáfora do poder absoluto dos
reis do início da Idade Moderna e da Monarquia. E nesse Estado antinatural o
povo poderia questionar esse Monarca ou até um líder religioso? Sim, mas o
autor explica que era algo do qual eles poderiam ser reprimidos com violência,
o leviatã poderia usar a força, e quando usada, a morte (dos que contrariam seu
poder) seria culpa do próprio povo, pois o estado absolutista é fundamentado em
um contrato, onde o poder do monarca é legitimado pelo próprio povo, que deu
esse poder a ele.
O autor é bem mais especifico sobre isso, e por
esse motivo recomendo a leitura do livro, onde Hobbes explica vários casos, e
apesar de ter falado sobre um Soberano ( o monarca) o autor amplia mais o
campo.

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